segunda-feira, 17 de junho de 2013

Pincel flat top Make-Up for You

Inicialmente, eu não tinha a intenção de fazer essa resenha porque a marca do pincel me era totalmente desconhecida e eu nunca tinha ouvido falar nela antes, achei que seria um post que ninguém iria querer ler. Recentemente, eu vi a marca aparecendo por aí em alguns blogs, vi que não é tão difícil de ser comprada (tem em várias lojinhas virtuais e até no Deal Extreme) e, como tenho usado e gostado bastante dele, achei que seria uma pena não comentar a seu respeito.

Eu gosto bastante de pincel do tipo flat top (aquele redondo com corte reto) para aplicação de base em pó mineral. Com este tipo de base, o acabamento fica mais bonito e natural se você usar um pincel bem denso e realizar movimentos circulares na pele, como se estivesse polindo. Também uso tal pincel para finalização quando uso outros tipos de base, para garantir a uniformidade da aplicação.

Inicialmente, eu usava um kabuki para a função, mas acho que o corte reto é mais interessante para polimento e acabei comprando um da Mary Kay. Porém, com o tempo ele ficou tão ruim (soltou a virola, as cerdas abriam demais, a quebra das cerdas passou a incomodar menos do que os tufos que se soltavam a cada lavagem) que eu desisti dele e resolvi partir em busca de um substituto. Acabei comprando este, da marca Make-Up For You:


Este pincel foi comprado em uma loja de cosmético física em Campinas. Estava fuçando nas coisas do balcão e este produtinho me chamou a atenção por dois detalhes: a aparência das cerdas e a alta densidade, similar à de um kabuki. Menciono a aparência das cerdas porque tem certos pincéis de cerdas sintéticas que só de olhar já dá para imaginar que é super macio, me lembrou o baby kabuki da Everyday Minerals que é um dos pincéis que tenho e mais gosto, tão fofo que é quase um carinho no rosto. Na foto abaixo dá para ver a comparação entre as cerdas das duas marcas, dá para ver que são exatamente do mesmo tipo de material (taklon?).

Make-up for You (esquerda) e Everyday Minerals (direita).
Densidade das cerdas similar à de um kabuki.

Testando-o no rosto, pude comprovar que meu julgamento estava certo, ele realmente é muito macio e não arranha nem pinica nada. O diâmetro do conjunto de cerdas também achei bom, nem tão grande que dificulte a aplicação e nem tão pequeno que torne o processo de polimento cansativo. Denso e com boa firmeza, permite fazer um bom polimento tanto para bases em pó quanto de outros tipos. Pelo que pesquisei na internet, tem gente que o compara sua funcionalidade ao F-80 da Sigma (Flat kabuki). As cerdas do Sigma seriam um pouco mais curtas e por isso um pouco mais firmes, mas o desempenho seria similar.

Para uma melhor noção do tamanho do pincel:

Dimensões do pincel.
*A abertura das cerdas costuma variar nesse intervalo.

Outro ponto que eu achei interessante nele foi seu comprimento (10,5 cm no total). É um pouco mais curto do que normalmente se vê e acaba sendo bem prático de ser carregado na bolsa. Coube tanto em uma necessaire pequena quanto em um dos bolsos internos de uma bolsa.

Achei o acabamento bem feito. Não tem uma cerda fora do lugar e mesmo lavando diversas vezes, ainda não saiu nenhuma. Outro ponto digno de nota é que conjunto de cerdas não se abriu excessivamente com o uso, está igualzinho a quando eu o comprei e dispensa o uso de um blush guard para mantê-lo em bom estado.

Não lembro quanto paguei exatamente mas achei o preço bom, se não me engano, algo entre 15-20 reais. Lógico que se você procurar para comprar um igualzinho em sites internacionais acha bem mais em conta mas, no Brasil, um pincel individual desse tipo e com essa qualidade costuma sair por mais do que isso. Comparando com pincéis de marcas mais conhecidas, o semelhante da Sigma custa US$18.00 e o da Everyday Minerals (mais parecido que o da Sigma) sai por US$12.99.

Resumindo, achei a relação custo benefício deste pincel excelente. Pelo que pesquisei, ele também pode ser encontrado para venda um um dos kits de pincéis da marca. Não sei se a qualidade é a mesma para todos os pincéis da marca, mas certamente é uma marca que olharei com mais atenção em minhas próximas compras de pincéis.

Atualização (18/06/2013):
Depois que a Priscilla comentou, constatei que tem esse modelo para comprar no Deal Extreme por uma pechincha, apenas US$3,40 (lembrando que lá tudo tem frete grátis para o Brasil). Interessou? Clica aqui.
Ele também é vendido neste kit, cujo preço também está muito atraente.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Máscara de Hidratação Intensiva Natura Chronos

Eu estava paquerando essa há um tempinho mas não estava muito segura se valia a pena pagar o preço normal dela (R$50,90), ainda mais com tão poucas resenhas por aí. Então, meu espírito mão-de-vaca mandou eu fazer como sempre faço com a Avon: esperar alguma promoção. Quando fui na loja no esquema pronta-entrega que sempre dá desconto de 25% no valor do catálogo e vi que nele a máscara estava em promoção por R$34,90, não tive dúvidas e resolvi pagar pra finalmente ver qual era a dele.

As alegações do fabricante (fonte):

"Sua fórmula possui glicerina, óleo de maracujá e hialuronato de sódio que proporcionam hidratação intensa por até 24 horas, maciez, conforto e luminosidade à pele. Também possui vitamina E que protege contra a ação dos radicais livres. Não atua nos sinais de envelhecimento já existentes na pele. Indicada para peles normais a secas. 
Benefícios: Nutrição e hidratação intensa por até 24 horas. Maciez, conforto e luminosidade. Proteção contra os radicais livres."

A cara do produto é essa daqui:

Embalagem do produto.

O produto em si.

Olhar o tamanho da bisnaguinha é um pouco decepcionante (nunca comprei uma máscara facial que viesse tão pouco), mas como a indicação de uso é de apenas uma a duas vezes por semana, deve durar bastante. A embalagem vem com 50g, a mesma quantidade que os cremes da linha Chronos. 

As instruções de uso:
"Após a limpeza e tonificação da pele, aplique uma camada espessa sobre o rosto seco e deixe o produto agir por 5 minutos. Remova com um algodão úmido. A seguir, utilize o tratamento cosmético Chronos indicado por sua consultora. Indicado para peles normais a secas."

Me agradou a praticidade de uso, apenas 5 minutos seriam o suficiente para se observar o resultado. Na prática, eu deixo mais por preguiça de contar o tempo. Como não é daquelas máscaras que repuxam ou ficam desconfortáveis após a aplicação, eu costumo passar ela, vou fazer alguma coisa e quando me lembro a retiro (geralmente uns 10-20 minutos depois).

A textura é mais leve do que eu imaginava, talvez porque estivesse acostumada com máscaras de limpeza ou controle de oleosidade, que costumam ser mais espessas ou viscosas. É fácil de espalhar e deixa apenas uma camada incolor sobre a pele. Mais ou menos como se fosse um creme que não chega a ser totalmente absorvido. Não é isento de fragrância, mas esta é suave e não chegou a me incomodar.

Como minha pele é sensível, fiquei com um certo receio ao ler na embalagem poderia causar ardência nas primeiras aplicações. Senti uma certa reação da pele (leve aquecimento) mas foi algo muito leve, nem chegando a incomodar de fato. Mesmo com o uso dele após esfoliação e deixando mais tempo que o recomendado, não tive nenhuma complicação decorrente de seu uso.

No primeiro uso, fiquei na dúvida se a remoção com algodão seria suficiente e acabei esfregando-o excessivamente para remover resquícios. Desnecessário, pois o residual após o uso do algodão úmido é leve e não oleoso. Em minha opinião, achei que dá tranquilamente para, após seu uso, passar outro creme de sua preferência sem pesar na pele. Eu uso um quadrado de algodão grande frente e verso para remover o produto, mas acredito que 2 disquinhos de algodão cumpram bem o serviço. Mesmo enxaguando ao invés de remover com o algodão, dá para sentir diferença na pele.

Falando do resultado em si, sim, eu gostei do produto. Após remover o produto, dá para sentir a pele macia e hidratada. Testei na pele em situações diferentes, de dia, de noite, tanto com a pele em situação normal quanto bem ressecada (começando a apresentar descamações).

Durante o dia eu só utilizei em dias frios. Neste caso, eu não senti que o produto tivesse contribuído para algum aumento de oleosidade no decorrer do dia, porém preferi não combiná-lo com outro produto também hidratante. Não peguei confiança para utilizá-lo em dias mais quentes. Utilizei de dia duas vezes só para testar e cheguei à conclusão de que prefiro utilizá-lo de noite.

Com a pele em seu estado normal, não vi nada de muito impressionante no produto. Ao utilizá-lo com a pele ressecada eu mudei minha opinião. Fazia alguns dias que eu estava com descamação em algumas áreas do rosto e o hidratante normal não estava dando conta. Eu estava cogitando apelar para meus hidratantes de emergência, mais poderosos e cujo uso restrinjo para o período noturno ou quando vou ficar em casa sem maquiagem, mas essa máscara serviu como um bom substituto. Além de eficiente, o tempo para se visualizar  o resultado é bem menor do que se eu utilizasse os cremes hidratantes.

Apesar da recomendação para peles normais e secas, não o achei tão tao pesado a ponto de não ser interessante também para peles oleosas/mistas. A minha se encaixa nesta categoria, e mesmo assim tenho a impressão de que usarei bastante. Acredito que me será bastante útil com a chegada do inverno e do clima mais seco ou qualquer outra situação em que a pele pedir uma turbinada na hidratação.

A quem interessar, segue a composição do produto.
agua, glicerina, ciclopentasiloxano, copolimero hidroxietil acrilatos/ acriloil dimetil taurato de sodio, escualano, polisorbato 60, biosacarido goma-1, dimeticonol, dimeticona, polimero reticulado de almidon octenil succinato de aluminio, polimero reticulado de dimeticona, fenoxietanol, aceite de semilla de passiflora edulis, acetato de tocoferilo, fragancia, polimero reticulado de acrilatos/c10-30 alquil acrilato, edta disodico, peg-5 cocoato, peg-8 dicocoato, iodopropinil butilcaramato, peg-4, hyaluronato de sodio, trietanolamina.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sobre proteção solar, maquiagem com FPS e misturinhas com o protetor

Faz uns dias vi um post onde a blogueira dizia ter testado um BB cream e não gostado do resultado, decidindo então fazer seu próprio creme multifuncional misturando protetor solar, base e primer. Dizia que ficou ótimo, pois oferecia "pele sequinha e protegida, com uma corzinha e poros comportados". Foi utilizado Minesol Oil Control FPS 30, uma base e o Porefessional.

Pode até ter ficado com o acabamento bom e ser prático, porém, a proteção ficou de alguma forma comprometida. Confesso que já cometi no passado o erro de fazer misturinha com o protetor usando base, mas depois de pesquisar melhor sobre o assunto, não acho que seja uma idéia tão boa. O porquê eu explicarei mais à frente, antes vou deixar algumas informações sobre protetores que eu acho interessante e também importantes para embasar a resposta.

Bob Esponja e Patrick ensinando o que acontece com quem
não se protege da radiação solar.

Como é medido o FPS? O que tal valor indica?

A maioria das pessoas sabe apenas que o FPS (Fator de Proteção Solar) é uma medida da proteção oferecida e que quanto maior o seu valor maior é a proteção, porém, não sabe dizer especificamente o que ele indica e de onde vem. Às vezes, até dermatologistas aparecem por aí nos meios de comunicação fornecendo informações inacuradas a respeito.

Para definir o que seria o FPS, vamor dar uma olhada no modo como ele é calculado para poder aparecer na embalagem. O FPS final de um produto é calculado a partir da média númerica dos valores de FPS obtidos individualmente em cada voluntário do teste. Chamaremos esse valor de FPSi, o qual pode ser calculado da seguinte maneira:


onde DME é a "Dose Mínima Eritematosa". Segundo a resolução da Anvisa que regula protetores solares
DME: dose mínima de radiação ultravioleta requerida para produzir a primeira reação eritematosa perceptível com bordas claramente definidas, observadas entre 16 e 24 horas após a exposição à radiação ultravioleta, de acordo com a metodologia adotada. 
A saber, eritema seria aquela vermelhidão por queimadura solar. De um modo beeeeeem simplicado, o teste para se obter o DME seria o seguinte:
  1. Aplica-se o protetor solar no voluntário, respeitando a quantidade de 2 mg/cm².
  2. Aguarda-se um intervalo de 15-30 minutos.
  3. Aplica-se a radiação no voluntário, variando-se a quantidade de radiação em pontos diferentes.
  4. Após um período de 16-24 h, identifica-se o ponto que apresentou eritema e que recebeu a menor dose de radiação, sendo esta dose considerada a DME.
Para a DME sem protetor, pula-se as etapas 1 e 2.

Digo modo simplificado porque o procedimento é bem rigoroso e há várias particularidades a serem levadas em conta no teste, como o fototipo dos participantes (I, II ou III), limites do espectro da fonte de radiação artificial a ser utilizada, intensidade da radiação e modo de aplicação, rigor na pesagem e aplicação, região a ser escolhida para aplicação do teste, etc. Quem tiver interesse em detalhes, pode consultar o International Sun Protection Factor (SPF) Test Method, um dos dois testes aceitos no Brasil (o outro é o do FDA).

No caso da proteção contra radiação UV-A (aquela que não é indicada na embalagem mas que pela regulamentação deve ser de no mínimo 1/3 do FPS oferecido contra UV-B), ao invés de eritema se mede o bronzeamento da pele. Os procedimentos e parâmetros do teste variam com relação ao teste do UV-B, mas o cálculo é parecido, sendo utilizada a "dose mínima pigmentária" no lugar da DME.

Vemos então que o FPS é um indicativo da proteção que o produto fornece baseando-se na quantidade de radiação necessária para que a pele da pessoa apresente eritema se comparado à exposição sem protetor. Como uma maneira de variar a quantidade de radiação é manter sua intensidade constante e variar o tempo de exposição em cada ponto (o que na prática resultaria numa relação de tempo), surgiu a idéia de que o FPS indicaria o tempo de exposição a mais que você estaria protegido de eritema. Seria algo como: se eu levo 10 minutos para me queinar no sol, usando um FPS 30 eu demoraria 30 vezes esse tempo para me queimar, vulgo, estaria protegida por 5 h (300 min) antes de ficar vermelha. Porém, como na vida real a intensidade da radiação não é constante ao longo do dia, tal conceito de tempo acaba não sendo muito acurado.

Enfim, desta descrição simplificada, é possível pegar dois pontos interessantes:


1) O valor do FPS informado na embalagem é vinculado à aplicação de 2 mg/cm²

Logicamente, aplicar uma quantidade menor de protetor leva a uma proteção menor, porém as pessoas não têm idéia de como essa redução afeta a proteção. Na tabela abaixo, pode-se observar os valores de FPS reais medidos variando-se a quantidade de produto aplicada e o fator de proteção mencionado na embalagem. Segue também um gráfico utilizando os dados da tabela.

Relação entre a quantidade de protetor solar e FPS real.
Fonte dos dados: Wulf, W.C. et al. Photodermatol Photo, 1997, v13, p.129-132



Como podem ver, a relação entre FPS e quantidade de produto não é linear, está mais para exponencial. Se eu tiver um produto com FPS 15, não é dobrando a quantidade de produto que eu automaticamente obtenho FPS 30.

Em vários lugares é divulgada a informação de que não vale a pena gastar dinheiro com protetor que tenha FPS acima de 30 porque é praticamente a mesma coisa, de onde veio isso? Tal informação leva em conta a quantidade de radiação filtrada por cada FPS, que seria calculada da seguinte forma:


No gráfico abaixo dá para visualizar essa baixa variação para FPSs acima de 30.


Usando os dados da tabela anterior, fiz os cálculos da porcentagem de radiação filtrada e montei outra tabela para dar uma perspectiva um pouco diferente:

Radiação filtrada de acordo com a quantidade de protetor aplicado.

Alguns dermatologistas dizem que a proteção dos FPS acima de 30 é igual e só muda o tempo de proteção, o que para mim nunca fez muito sentido, afinal, se um fator de proteção deixa passar mais radiação do que outro, para mim é bem claro que este está protegendo menos. Já vimos que essa definição do FPS como relação de tempo não é muito precisa mas, supondo que fosse, esse papo de "a proteção é igual, só muda o tempo" só valeria se você considerasse que a única coisa de que o protetor está te protegendo é de ficar vermelho, o que eu particularmente acho um conceito BEM limitado de proteção. Sem falar que também dá margem a interpretações do tipo "se eu me queimo em 10 minutos, com um protetor de FPS 50 eu posso ficar mais de 8 horas (500 minutos) protegido e não preciso reaplicar protetor nenhuma vez", o que não é verdade.

O que seriam os 2 mg/cm²? Existem uns métodos trabalhosos envolvendo cálculos como este mostrado no Future Derm (odiei ele ter feito o desfavor de converter as unidades do sistema internacional de unidades para o maldito sistema americano/inglês), onde se chega à conclusão de que seria 1/4 de colher de chá para o rosto (sem orelhas ou pescoço). Na verdade, varia de acordo com a densidade de cada produto, mas o que eu sempre vejo sendo recomendado como uma maneira prática de dosagem seria 1 colher de café para o rosto e 1 de chá para o rosto/pescoço/orelha.

A maioria das pessoas não chega nem perto dos 2 mg/cm², sendo esta a razão para que a recomendação do FPS mínimo indicado pelos dermatologistas tenha passado de 15 para 30. Neste mesmo estudo de onde foram retirados os dados da tabela, encontrou-se que a maioria das pessoas na praia usavam apenas 0,5 mg/cm² de protetor solar. Essa quantidade, além de não proteger, é perigosa por gerar a falsa sensação de que a pessoa está protegida e esta tender a abusar do sol. Uma conseqüência interessante foi observada no estudo: mais pessoas do grupo que passou protetor solar relatou eritemas no dia seguinte (42%) do que no grupo sem protetor (34%). 

Em outro estudo mais recente (de 2010, o Pedro fez um post a respeito), também chegou-se à mesma conclusão de que as pessoas não estavam se protegendo direito e foi sugerido um outro método prático para se atingir a camada ideal de proteção: aplicar o protetor duas vezes, usando em cada uma delas a mesma quantidade que a pessoa já estava acostumada a passar. 


2) É necessário um intervalo de espera entre a aplicação e a medição do FPS.

Assim como no teste, muitas embalagens de protetores vêm com a recomendação de que o produto deve ser aplicado 15-30 minutos antes da exposição. O que acontece nesse período é que parte dos componentes do protetor solar é absorvida pela pele, outra parte evapora e os ativos protetores continuam lá. A conseqüência direta disso é o aumento da concentração de ativos protetores na camada final sobre a pele. Fiz um esqueminha simplificado nas figuras abaixo que talvez ajude a visualizar isso.


Camada inicial do protetor solar sobre a pele, imediatamente após a aplicação.
Camada final de protetor solar, após evaporação de voláteis e absorção.

Note que após esse período de espera há um menor espaçamento entre os ativos, formando-se uma barreira mais eficiente contra a radiação e, conseqüentemente, fornecendo maior proteção.


Voltando à questão do protetor em misturinhas...

Acho, que pelo que foi exposto, já deu para ter idéia de porque fazer misturinha com o protetor acaba não sendo uma idéia tão boa. A misturinha mais comum é de base com protetor, neste caso, o mais comum é que as pessoas apliquem pouco da mistura, geralmente apenas o suficiente para cobrir o rosto e uniformizar o tom da pele. Dificilmente vão utilizar os 2 mg/cm² necessários de protetor porque uma camada muito grossa de produtos com cor não costuma ficar com o acabamento legal. Dessa forma, a proteção fica comprometida.

No caso da moça que misturou primer além da base, é mais improvável ainda que ela use a quantidade correta de protetor. Como a intenção dela é simplificar e fazer 3 passos em um só, o mais provável é que ela queira também resolver tudo aplicando a misturinha em uma quantidade menor do que a soma dos 3 produtos em aplicação individual. Supondo que ela use a proporção 1/2 protetor, 1/4 base e 1/4 primer e aplique a misturinha na mesma quantidade que aplicaria de protetor, ela estará usando só a metade do protetor a que estava acostumada.

Ok, tudo isso é suposição pessimista minha, nem todo mundo reduziria a quantidade total de protetor solar aplicado sobre a pele. Porém, mesmo que no final da aplicação da misturinha se consiga respeitar os 2 mg/cm² do protetor solar, não se tem mais o mesmo FPS original do protetor. Isso porque a misturinha reduziu a concentração do protetor solar.

Se você der o tempo de secagem/absorção, ao final, os ingredientes ativos não terão a mesma concentração que teriam se você tivesse aplicado a camada de protetor apenas. Vai ter um monte de ingredientes da base e do primer ocupando o espaço entre esses ativos e a barreira protetora fica comprometida. Assim sendo, não estão sendo respeitadas as condições nas quais se determinou o FPS do protetor e aquele valor da embalagem já não é mais válido.


Maquiagem com proteção solar

Já que o post começou falando sobre a tentativa da moça de fazer seu substituto para BB cream, vamos falar sobre a maquiagem que alega possuir fator de proteção solar. No caso de produtos cosméticos cuja função principal não é proteção solar, o fator de proteção solar é medido da mesma forma. Seja líquido, cremoso ou em pó, aquele FPS da embalagem foi determinado para os 2 mg/cm² de produto

Como ninguém usa tudo isso de pó ou base por aplicação para não ter um acabamento rebocado e artificial e o FPS desses produtos costuma ser baixo, ao contrário do que alguns maquiadores falam, maquiagem com FPS não substitui protetor solar. É legal esse tipo de produto porque ajuda a complementar a ação do protetor e, na ausência de um produto específico, é melhor do que nada. Usar pó com FPS elevado é um meio bem prático para dar aquele retoque no meio do dia, existem vários produtos específicos para isso.

Tem muita resenha de BB cream onde a a blogueira conta que o produto rende bastante porque com uma camada fina já se consegue ótima cobertura, trata e ainda oferece proteção solar. Que fique bem claro que, do jeito econômico que elas usam, essa última funcionalidade não está realmente sendo desfrutada. Se uma camada mais generosa de BB cream não é uma opção esteticamente viável, é interessante complementar o uso com uma segunda fonte de proteção.

Finalizando a questão desses produtos cuja função principal não é a proteção solar, convém lembrar que, ao contrário dos protetores solares, eles não têm a necessidade de oferecer um mínimo de proteção contra radiação UV-A, a principal responsável pelo envelhecimento precoce. Então, definitivamente, não substituem  um bom protetor solar.


Atualização 16/05/2013:

Para quem quiser se aprofundar no assunto mas tem dificuldades em ler material em inglês, tem uma dissertação de mestrado defendida na USP pelo Sérgio Schalka (especialista em fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)) em 2009 e que trata do assunto deste post: Influência da quantidade aplicada de protetores solares no Fator de Proteção Solar (FPS): Avaliação de dois protetores solares com os mesmos ingredientes em diferentes concentrações.

Tem várias informações interessantes, como a explicação do porquê dos testes serem realizados sempre com base nesses 2 mg/cm² ao invés de uma quantidade menor e mais próxima do que a maioria das pessoas costuma usar (essa é a estimativa para a quantidade de produto necessária para a formação de uma camada uniforme sobre a pele considerando suas microrugosidades). Tem também fotos ilustrando o esse teste para medição do FPS, podendo se ver na pele do voluntário a marca correspondente à dose mínima eritematosa (DME).

Eu gosto mais de ler a dissertação pela riqueza de detalhes, mas um resumo das informações pode ser encontrado neste artigo do mesmo autor da dissertação: Fator de proteção solar: significado e controvérsias.